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21/06/2021 Campanha da Fraternidade (CF) é estudada em Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Uma pesquisa de doutorado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) buscou entender a Campanha da Fraternidade (CF), iniciativa realizada em âmbito nacional, sob os cuidados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Expressão de comunhão, conversão e partilha, a Campanha da Fraternidade tem como objetivos despertar o espírito comunitário e cristão na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade; renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação evangelizadora, em vista de uma sociedade justa e solidária.

O responsável pela pesquisa, Adailton Antônio Galiza Nunes, explicou que as ideias para a sua tese surgiram a partir de algumas práticas catequéticas que ele realiza através da Internet. “Em 2016, eu criei um canal de catequese no Youtube chamado WebCatequese. Os vídeos que tiveram mais acessos foram os das Campanhas da Fraternidade. Por um lado, eu percebi muitas pessoas elogiando a qualidade e conteúdo. Por outro, alguns grupos começaram a comentar em meus vídeos utilizando termos como “Papa comunista”, “Fora CNBB”, “Queremos nossa Quaresma de volta”.

Dado o exposto, Adailton percebeu que seria interessante investigar as origens desses ataques. Começou então analisando os mais de 50 textos-base divulgados pela CNBB, seus temas, lemas e cartazes, atas de reuniões, declarações, artigos publicados na grande imprensa, entre outros.

Embora seu desejo inicial tenha sido compreender as atuais relações da Igreja Católica e a Internet, foi necessário delimitar o período histórico e as fontes de análise.

Segundo o pesquisador, suas principais perspectivas foram focar no surgimento da Campanha da Fraternidade que se deu em 1964; estender esse período até o final da ditadura em 1985 e em como se deram as relações entre Igreja e Estado, na época. Além disso, investigar a maneira como os cardeais Agnelo Rossi e Paulo Evaristo Arns aplicaram as Campanhas da Fraternidade na arquidiocese de São Paulo.

“O estudo mostrou, dentre outras coisas, que a Igreja Católica é um espaço de disputas de narrativas, de poder, de verdades e seus agentes estão constantemente em uma busca da legitimidade de seus discursos”, disse Adailton.

De posse das conclusões da tese, Adailton espera compreender melhor ainda as origens do conservadorismo católico virtual, os ataques coordenados que se dão nas redes sociais e seus desdobramentos na Igreja.

A pesquisa e seus resultados podem ser conferidos na íntegra (AQUI).