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03/12/2018 Dom Murilo: “Os dias atuais estão mostrando que o maniqueísmo continua”

“Não há nada de novo debaixo do sol.” O arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger usou essa frase do Livro do Eclesiastes (1,10) ao refletir sobre o momento pelo qual passa o Brasil. De acordo com ele, as eleições terminaram, mas os confrontos verbais, não. “Parece que continuamos em campanha eleitoral – a campanha de 2018, que dividiu os brasileiros entre bons (os do meu lado) e maus (os do outro lado)”, disse. Eu seu artigo “Os novos maniqueus”, o bispo afirma que essa radicalização não é nova. “Quais ondas que vão e vêm, as ideias e os comportamentos humanos se repetem ao longo dos séculos”, enfatizou.

Dom Murilo explica que na metade do século terceiro de nossa era, Mani (ou Manes), que morava na antiga Pérsia (hoje: Irã), difundiu uma doutrina filosófico-religiosa que defendia o dualismo entre dois princípios opostos: o bem e o mal. Segundo ele, há uma oposição permanente entre a luz (o bem) e as trevas (o mal). Suas ideias, que deram origem ao maniqueísmo, tiveram profunda influência em sua época, a ponto de Santo Agostinho, antes de sua conversão, tê-las abraçado; convertido, tornou-se um ferrenho adversário dessa visão de mundo.

Séculos mais tarde (séc. XI), dom Murilo argumenta que as ideias maniqueístas voltaram a ter evidência, agora, na Europa e, particularmente, na França. “Esses novos maniqueus pertenciam à seita dos cátaros ou albigenses”, diz. Periodicamente, segundo dom Murilo o maniqueísmo ressurge aqui e ali, não tanto como doutrina, mas como concepção de vida, como atitude prática.

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