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20/05/2021 Assembleia Eclesial, CEAMA e Apresentação da realidade; confira os destaques do terceiro dia da 38ª do CELAM

A Assembleia Geral do Conselho Episcopal Latino-americano – Celam, que se realiza virtualmente de 18 a 21 de maio, concentrou-se no seu terceiro dia de trabalho nos relatórios sobre a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, a Conferência Eclesial da Amazônia e a realidade dos diferentes países da América Latina e do Caribe.

A pandemia de Covid-19 está marcando decisivamente a vida do povo e da Igreja na América Latina e no Caribe. Apesar das dificuldades, o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, ao apresentar a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, sublinhou que a sua preparação não parou. O Cardeal hondurenho apresentou os objetivos, que têm um impacto na reanimação da Igreja, apresentando uma nova forma de ser Igreja, numa chave sinodal, para fazer uma releitura de Aparecida a fim de retomar os aspectos mais impactantes e voltar a ligar as cinco conferências e o Magistério do Papa Francisco.

O cardeal salientou que “o Sínodo para a Amazónia foi uma escola muito grande para todos nós na Igreja universal, uma escola que outra metodologia poderia ser utilizada”. Até então, havia grande dificuldade em realizar sondagens antes dos sínodos, que ou não eram feitas ou eram feitas por muito poucas pessoas, sempre de dentro da Igreja, segundo o cardeal. Com o Sínodo da Amazónia, foi demonstrada a possibilidade de que o ver se torna escuta.

Segundo o arcebispo de Tegucigalpa, esta é uma inspiração para a Assembleia Eclesial, “onde queremos que a escuta tenha uma força muito grande”, algo que é coletado diretamente pelo comité de escuta, insistindo que qualquer pessoa pode entrar no website e contribuir. Sublinhou também a importância de uma visão contemplativa da escuta, que é complementada pelo itinerário espiritual. Por conseguinte, é necessário, segundo o cardeal, motivar a escuta, a necessidade de participação e animação. Neste sentido, sublinhou que “a vantagem é que através de meios telemáticos se pode chegar diretamente ao comité de escuta.

A Conferência Eclesial da Amazónia, da qual fazem parte nove países e sete conferências episcopais, que estão incluídas no Celam, uma novidade nascida em junho de 2020, é um dos frutos do Sínodo para a Amazónia, que fez a proposta de criar um organismo episcopal para coordenar a implementação do Sínodo no território, como recordou o Cardeal Claudio Hummes. No entanto, por indicação e desejo do Papa Francisco, este organismo tornou-se uma conferência eclesial. É, segundo o presidente do Ceama, “um passo adiante na direção e uma Igreja mais sinodal, menos piramidal, onde participa muito mais todo o Povo de Deus em todas as suas categorias”.


O cardeal sublinhou que não é um simples secretariado ou comissão de outra entidade, mas tem o nível de uma conferência, o que lhe daria toda a sua autonomia. Ao mesmo tempo, insistiu que se trata de uma conferência eclesial, da qual não só os bispos fazem parte.

Falando da missão da Ceama, o cardeal Hummes disse que se trata de ajudar a delinear o rosto amazónico da Igreja, promovendo uma pastoral de conjunto, como Aparecida nos tinha indicado, diferenciada, dada a diversidade de culturas e realidades dentro da Pan-Amazónia, promovendo grandemente a inculturação da fé nos seus territórios, aplicando os resultados do Sínodo Especial para a Amazónia.

A Ceama, que como recordou dom Miguel Cabrejos é um dos três eixos atuais do Celam, está em processo de aprovação canónica pela Cúria Romana, um processo que se vai realizando pouco a pouco, insiste o cardeal, porque “se trata de colocar os fundamentos canônicos de uma nova realidade na Igreja”. Não podemos esquecer, como nos lembra o presidente da Ceama, que “o que daqui sair será uma base para outras conferências semelhantes na Igreja universal, o que constitui um ponto importante”.

A CEAMA já tem o seu secretário executivo, o jesuíta colombiano Alfredo Ferro, que ficará sedeado na sede do Celam, ao qual a CEAMA está organicamente ligada. Pouco a pouco, o plano pastoral para a implementação do Sínodo no território está sendo construído. Neste sentido, o Cardeal Hummes insistiu que “devemos sonhar com uma Igreja indígena, não só com uma Igreja indigenista, que seria uma Igreja onde são os indígenas que tem seus próprios bispos, presbíteros, diáconos, ministros instituídos, uma Igreja que seja missionária em relação aos outros indígenas não evangelizados”.

Mauricio López, que até há poucas semanas era o secretário executivo interino da Ceama, sublinhou a importância de todas as instâncias do Celam poderem abordar a realidade da Ceama. Nas suas palavras enfatizou a importância de participar nos processos presentes na Ceama, tais como os aspectos de ministerialidade e itinerários. Ao mesmo tempo, salientou como o trabalho articulado e o acolhimento do Celam à Ceama é muito positivo. Também mostrou o apoio de todos os centros do Celam à caminhada da Ceama, como fonte de vida e de novos caminhos.

No debate que se seguiu, foram abordadas algumas questões relacionadas com a Ceama, tais como o tema da Universidade da Amazónia, que nas palavras do Cardeal Hummes é “uma universidade que trabalha com o povo e a partir daí constrói conhecimento, uma universidade diferenciada, pronta a ouvir e a construir processos em conjunto e não de cima para baixo”.

A apresentação da realidade dos países, que o cardeal Rodriguez Maradiaga considera um enriquecimento mútuo, foi feita através de pequenos vídeos, onde um bispo de cada conferência episcopal ajudou a compreender a situação que está sendo vivida em cada canto do continente. Apesar de outras situações terem sido relatadas, o aspecto mais marcante das intervenções foi a pandemia da Covid-19 e a forma como a Igreja está respondendo. As iniciativas realizadas foram muito semelhantes, destacando as grandes expressões de solidariedade, especialmente através da Caritas, que, nas palavras do presidente do Celam, “mostram o rosto materno e misericordioso da Igreja”.

Na conferência de imprensa, que se realiza todos os dias no final das sessões da assembleia, o Cardeal Rodriguez Maradiaga refletiu sobre o Centro de Gestão do Conhecimento do Celam, que ele coordena. Neste sentido, sublinhou a importância da “capacidade de reflexão e conhecimento que podemos oferecer a um mundo dominado por sistemas políticos e económicos que falharam”. É necessário, no caso da América Latina e do Caribe, “contribuir para a reflexão que brota da nossa terra, da nossa identidade”, dando como exemplo a Universidade Católica da Amazónia, uma ideia nascida do Sínodo e que já deu os seus primeiros passos.

O cardeal hondurenho refletiu sobre a cultura do encontro, algo necessário numa sociedade em que vemos desacordos, colocando o diálogo como um instrumento que “nos dá a oportunidade de discutir, mas como irmãos”. É por isso que insistiu que “a cultura do encontro tem de ser promovida a todos os níveis na nossa Igreja”. Segundo o Cardeal Rodriguez Maradiaga, a assembleia é uma prova do que pode ser feito quando há vontade, é um sinal positivo, afirmando que “a pós-pandemia não pode ser a mesma, nós aprendemos”. Finalmente, agradeceu aos comunicadores “por nos darem seu tempo”.

Também presente na conferência de imprensa esteve o Padre David Jasso, que salientou, na linha do que foi discutido neste terceiro dia da 38ª Assembleia Geral do Celam, como neste tempo de pandemia, a Igreja demonstrou compaixão e adaptabilidade, “compreendemos que as telas não são muros, mas pontes”. O Secretário-Geral Adjunto do Celam destacou o dinamismo da Pastoral Social neste último ano, “para ver por aqueles que não contam e que foram os mais afetados”, os mais pobres e indefesos, numa mudança de época que já estava a chegar, mas que se acelerou.

Referindo-se à Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, afirmou que está avançando de forma constante, apesar de saber que nem todos têm os recursos digitais para se ligarem, para os quais estão sendo procuradas alternativas. Na sua opinião, “a assembleia é um ponto de chegada e de partida, um momento especial de graça”, sublinhando a importância da oração. A pandemia mostrou-nos, segundo o padre mexicano, que “há uma ressignificação do que somos e do que fazemos, não podemos estabelecer projetos pastorais sem considerar este contexto da pandemia”. Por esta razão, ele vê os desafios de mostrar proximidade e solidariedade.

Por Padre Luis Miguel Modino – Equipe de Comunicação do Celam